Ciclo matéria leve 2026:

Sobre imagem e imaginação nas artes performativas


matéria leve organiza um ciclo de conferências, performances e workshops realizados por iluminadorxs, coreógrafes e investigadorxs, no qual convidam o público local e a comunidade artística a refletir sobre a prática cénica contemporânea a partir da perspetiva da iluminação: a sua relação com a visualidade e a filosofia da imagem, o pensamento coreográfico e dramatúrgico, e os contextos pedagógicos onde fazer circular o conhecimento.



De 20 a 24 de maio de 2026

Espaço Alkantara, Lisboa.


~ mais informações em breve ~


matéria leve / Ciclo 2026

Sobre imagem e imaginação nas artes performativas

O que é uma imagem? De que materialidades é feita? Qual é a sua performatividade? Para que trabalha cada imagem? Como habitamos a visualidade a partir das artes performativas? Que ferramentas podemos desenvolver, a partir das artes performativas, para a desnormativização da atenção?


No contexto dematéria leve, entendemos as peças cénicas como um convite a uma situação singular de atenção. Os lugares que emergem de cada trabalho abrem-se como campos de imagens: não apenas para serem lidos a partir de uma lógica narrativa, mas como territórios onde podem ativar-se novos estados de percepção e imaginação. Nesse sentido, tomamos as práticas performativas como um território fértil para a experimentação, o treino e a desestabilização das lógicas que configuram a atenção como o bem mais valioso do capitalismo contemporâneo.


Pensar a imagem para além da relação causa-efeito implica assumir que ela não se esgota em si mesma nem funciona como um ponto de chegada. Cada imagem pode tornar-se parte de um processo imaginante se entendermos as artes performativas como um espaço onde treinar e desdomesticar a atenção. É nessa prática atencional que a imagem pode emancipar-se da representação e, no encontro com es espectadorxs, desdobrar-se em direção a outras imagens num movimento não linear, mas elétrico e afetivo.


matéria leve é uma plataforma de investigação e formação em iluminação cénica onde temos vindo a ensaiar contextos pedagógicos experimentais e colaborativos. Surge como um espaço dirigido a mulheres cis, pessoas trans e não binárias, com o desejo de abrir âmbitos de trabalho e de diálogo onde antes não existiam.

Neste ciclo, articulamo-nos com colegas de diferentes disciplinas que abordam a imagem a partir da sua capacidade performativa: artistas e investigadoras que entendem a cena como um encontro de agências não hierarquizadas; criadoras que trabalham a luz como matéria viva geradora de espaço-tempo e como um campo autónomo de perguntas; investigadoras que expandem a nossa compreensão da visualidade a partir da prática artística e pedagógica.

Participam: Andrea Soto Calderón, Victoria Pérez Royo, Emse Csornai, Laura Salerno, Josefa Pereira, Ska Batista, Bee Barros, Gabriela Cavería, Ayara Hernández, Cecilia Mieres, Leticia Skrycky e Carolina Campos, entre outres.


Num presente violentamente atravessado por tantas interrogações, apostamos na potência criadora da arte como prática de imaginação política: um lugar onde as imagens não encerram o sentido, mas abrem possibilidades.


Leticia Skrycky e Carolina Campos




matéria leve / Cycle 2026
On Image and Imagination in the Performing Arts


What is an image? What materialities compose it? What is its performativity? What does each image work toward? How do we inhabit visuality through the performing arts? What tools can we develop from the performing arts to denormalize attention?


Within the context of
matéria leve, we understand stage works as invitations to a singular situation of attention. The places that emerge from each work open up as fields of images: not only to be read through a narrative logic, but as territories where new states of perception and imagination may be activated. In this sense, we take performative practices as a fertile ground for the experimentation, training, and destabilization of the logics that configure attention as the most valuable commodity of contemporary capitalism.


To think the image beyond a cause-and-effect relationship implies recognizing that it neither exhausts itself nor functions as a point of arrival. Each image can become part of an imagining process if we understand the performing arts as a space where attention can be trained and undomesticated. It is within this attentive practice that the image may emancipate itself from representation and, in encounter with the spectators, unfold toward other images in a movement that is not linear but electric and affective.


matéria leve is a platform for research and training in stage lighting where we have been experimenting with collaborative and experimental pedagogical contexts. It emerged as a space directed toward cis women, trans people, and non-binary people, with the desire to open fields of work and dialogue where they previously did not exist.

In this cycle, we collaborate with colleagues from different disciplines who approach the image through its performative capacity: artists and researchers who understand the stage as an encounter of non-hierarchical agencies; creators who work with light as a living material that generates space-time and as an autonomous field of inquiry; researchers who expand our understanding of visuality through artistic and pedagogical practice.

Participants: Andrea Soto Calderón, Victoria Pérez Royo, Emse Csornai, Laura Salerno, Josefa Pereira, Ska Batista, Bee Barros, Gabriela Cavería, Ayara Hernández, Cecilia Mieres, Leticia Skrycky, and Carolina Campos, among others.


In a present violently traversed by so many questions, we place our trust in the creative power of art as a practice of political imagination: a place where images do not close meaning, but open possibilities.



Leticia Skrycky e Carolina Campos